segunda-feira, 30 de julho de 2007

ATMOSFERA(1)

ATMOSFERA EM TRANSFORMAÇÃO: o ozônio e os CFCs, certezas e incertezas.

Por: Marco Antonio Tomasoni1 e Kên Rodrigues Tomasoni2

"Se o conhecimento pode criar problemas, não é através da ignorância que podemos solucioná-los"

Isaac Asimov (1920-1992)


RESUMO:

O presente texto é uma breve reflexão sobre questões tratadas no âmbito das
mudanças globais referentes ao clima e mais especificamente sobre a
roblemática da camada de ozônio e alguns de seus aspectos teóricos e técnicos, mostrando as características do problema e suas dimensões.

Serão avaliadas as implicações de ordem diversa como as questões políticas e econômicas resultantes das ações de resposta aos problemas apontados pela produção do dos CFCs, a partir do protocolo de Montreal e de Viena.

A efetividade de tais ações e seus impactos no sistema ambiental, fazendo refletir sobre o papel da ciência e seus enlaces com a economia.
Palavras chave: atmosfera, ozônio, clorofluorcarbonos, impactos.

INTRODUÇÃO:

É fato consagrado no âmbito acadêmico que após o advento da revolução industrial, a sociedade vem transformando radicalmente o mundo e também a composição dos gases atmosféricos, especialmente com substâncias muito ativas e reagentes, este é o foco que aqui se pretende tratar.

Recentemente fomos largamente acercados com inúmeras informações que davam conta da descoberta de um grave problema que ameaçava a existência humana.

Este problema estava relacionado à rarefação da camada de ozônio e sua
reatividade frente a um grupo de substâncias antropicamente produzidas: os freóns, que em dadas condições especificas estavam degradando-a e cujas dimensões precisávamos conhecer melhor.

O fenômeno ganhou a mídia de forma avassaladora e a teoria da Mario Molina e
Sherwood Rowland tornou-se uma verdade inabalável, resultando em ações onde ONG’s, governos, corporações e indivíduos, puseram-se na luta contra seus efeitos.


Enfim, uma forte “comoção” se estendeu sobre o “problema” e causou reações
imediatas em todo mundo, chegando ao quase completo banimento desta substância e sua substituição.


Mas, é bom que se diga que este problema apresenta um conjunto de variáveis muito mais complexas, as quais não estão devidamente explicadas ou sobre elas, residem dúvidas incontestes e interesses que implicam em impactos de ordem política e econômica muito sérios, para serem reduzidos a um fato meramente técnico.

1 Professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal da Bahia –

tomasoni@ufba.br

2 Estudante do 3 ano do ensino médio.

UMA BREVE LINHA DO TEMPO


Atribui-se a descoberta do ozônio, ao químico Christian Friedrich Schönbein que em meados do século XIX, observou que após descargas elétricas na atmosfera havia um odor, “notado também quando a água era decomposta por uma corrente voltaica.

Schönbein acreditou que esse odor poderia ser atribuído à existência de um gás atmosférico de odor peculiar. A esse gás atribuiu o nome ozônio, da palavra grega para cheiro – “ozein”.


O ozônio é um gás produzido naturalmente na atmosfera terrestre, reativo e capaz de oxidar metais como ferro, chumbo e arsênico[...] após varias pesquisas concluiu-se que o ozônio tinha um papel ainda mais importante, utilizando-o como um eficaz desinfetante durante epidemias infecciosas”(INPE 2006).

A vinculação do ozônio aos CFC foi originada a partir das descobertas dos cientistas F. Sherwood Rowland e Mário Molina em 1974, que suspeitavam que grandes quantidades de um composto estável CFC (Clorofluorcarbonos ou CFCl3 e CF2Cl2, respectivamente Freón-11 e Freón-12 ou Halons), produzidos sinteticamente desde os anos 20 inicialmente pela Du Pont, e que de alguma maneira estariam circulando na atmosfera, mais especificamente na estratosfera (acima dos 20Km), criando condições para uma exposição à elevada radiação presente nestas altitudes, gerando assim, uma reação onde seria atacado o ozônio (03). Tal teoria foi batizada de “Ciclo Catalítico do cloro” e no meio informativo como teoria da destruição da camada de ozônio.

Mas foi somente nos anos 80 que a informação ganhou dimensões maiores, quando a NASA (National Aeronautics and Space Adimistration) divulgou seus estudos, apresentando o que se constituiria no “buraco na camada de ozônio”, que, segundo eles, em setembro de 2000, tinha chegado a mais de 28 milhões de quilômetros quadrados (WMO, 2000; NASA, 2001).

Segundo dados oficiais de relatórios da ONU, “atualmente, a média das perdas de ozônio é de 6% nas latitudes médias do Hemisfério Norte no inverno e na primavera, 5% nas latitudes médias do Hemisfério Sul durante o ano todo, 50% na primavera antártica e 15% na primavera ártica. Os aumentos resultantes na irradiação de raios ultravioletas nocivos chegam a 7%, 6%, 130% e 22%, respectivamente (UNEP, 2000)3. Em 1977, os Estados Unidos proibiram o uso de CFCs em aerossóis não-essenciais e alguns outros paises como o Canadá, Noruega e Suécia também diminuíram o consumo e produção. Entre os vários usos dos CFCs existem os aerossóis e os nãoaerossóis, como em espumas, solventes e produtos refrigerantes.

Em março 1985 a Convenção de Viena e o Protocolo de Montreal foram assinados e ganharam inúmeros membros e em dezembro de 2001, haviam 182 partes já
ratificado a Convenção de Viena e 181 partes, o Protocolo de Montreal, que
originalmente exigia o corte de apenas 50% do consumo.


Sendo que ao final de 1995 estas substâncias foram praticamente eliminadas pelos industrializados e criouse um fundo (aprox. $1,1 bi) para financiar paises em desenvolvimento.

E em recente encontro internacional (set/2006) foi comemorado a eficiência do
combate à eliminação dos CFCs, onde foi anunciado o praticamente fim do
problema.

3 UNEP (2000). Action on Ozone. Nairobi, United Nations Environment Programme. (web)

CARACTERIZAÇÃO DOS ELEMENTOS ENVOLVIDOS:


Primeiramente é bom que se diga que como qualquer problema, o do ozônio está ligado a uma complexa rede de reações físico-químicas que ocorrem tanto na troposfera quanto na tratosfera.

Quando falamos em atmosfera é importante lembrar sua estrutura básica e o comportamento dos elementos temperatura e pressão, conforme vemos na figura(01), onde se vê o comportamento variável da temperatura nas diferentes camadas e o decréscimo abrupto da pressão na medida em que elevamo-nos na atmosfera. Estes dois fatores interferem de modo determinante nas reações físico-químicas dos componentes gasosos que ocorrem no seu conjunto.

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