quarta-feira, 13 de junho de 2007

CFC

CFC

O CFC-11 é coisa do passado - Com novos equipamentos e com o uso de um poliol mais ecológico, o Brasil entra na fase final de eliminação do CFC-11
O Brasil está em fase final de eliminação da emissão do clorofluorcarbono -11, utilizado na fabricação de espumas de poliuretano. O CFC- 11, como é mais conhecido, é prejudicial a camada de ozônio.


O clorofluorcarbono é um gás que, ao atingir a camada de ozônio, destrói as moléculas que a formam. Sem essa camada, a incidência de raios ultravioletas sobre a Terra fica ainda maior, aumentando as chances das pessoas contraírem doenças, como o câncer de pele.

O prazo limite, de acordo com as determinações do Protocolo de Montreal, acordo assinado em 16 de setembro de 1987, por 46 países, inclusive o Brasil, é 2010. Mas em virtude das diversas ações já empreendidas pelo governo federal e pela indústria do poliuretano, a eliminação do CFC-11 no país deve ocorre bem antes do prazo estipulado.

”Por uma estratégia governamental, a partir deste ano todas as empresas que se utilizam do CFC-11 para a fabricação de espumas de poliuretano, e que ainda não foram contempladas com o apoio técnico e financeiro proporcionados pelo Protocolo, serão atingidas. Isso nos permite dizer que entramos na fase final do projeto”, afirma Cândido Lomba Filho, diretor executivo da Abripur – Associação Brasileira da Indústria do Poliuretano.

Uma das ações que ajudaram o Brasil a reduzir o consumo de CFC foi a Resolução 267 do Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente, de 14 de dezembro de 2000. De acordo com o texto, as importações de CFC-11 seriam permitidas apenas para suprir os consumos das empresas cadastradas no Ibama – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, e que tinham projetos de conversão as tecnologias livres dessa substancia em processo de implantação, ou em vias de apresentarem propostas para tal finalidade, até 12 meses da publicação da resolução, ou seja, dezembro de 2001.

As empresas interessadas em participar desta fase final deveriam fazer sua inscrição gratuitamente no Ibama até 31 de abril de 2003, mas o prazo pode vir a ser prorrogado. Cândido, da Abripur, acha que muitas empresas podem perder o cadastramento.

Assim, a Abripur está intercedendo junto ao Ibama para a que o prazo de cadastramento seja ampliado. ”Contudo, não está garantido que esse prazo vai mesmo ser ampliado”, diz. Para se credenciar e poder receber os benefícios do Protocolo de Montreal, a empresa deve preencher requisitos tais como: ter sido instalada antes de julho de 1995; atuar no ramo de espumas; comprovar o consumo de CFC nos últimos 12 meses por meio de recibos de compras ou planilhas de produção; permitir a visita de consultor internacional do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – e cumprir as metas estabelecidas pelo Fundo Multilateral, criado em 1992, e pelo Prozon – Programa Brasileiro de Proteção a Camada de Ozônio.

O vilão

O CFC-11 é uma substancia adicionada ao poliol, uma das matérias-primas usadas para a obtenção da espuma de poliuretano. Uma molécula de CFC-11 pode destruir até 75 mil moléculas da camada de ozônio que envolve a Terra. Para a eliminação do CFC- 11 da espuma de poliuretano, optou-se, no Brasil, pela utilização da substancia conhecida por Hidroclorofluorcarbono, HCFC-141B.

”Essa substancia é 90% menos prejudicial que o CFC-11”, afirma Cilas Rosa da Silva, assessor técnico da Poly-Urethane (Belo Horizonte, MG), fabricante de equipamentos.

Mas se o HCFC é menos prejudicial a camada de ozônio, é mais prejudicial aos equipamentos de fabricação de poliuretano.


”Os fabricantes de matérias-primas substituíram o produto, mas não avisaram os clientes sobre suas propriedades. Não basta trocar o CFC-11 pelo HCFC. Com o tempo verificou-se a necessidade de novas tecnologias para se trabalhar com essa substância”, explica o diretor da Abripur.

Desta forma, a multinacional Poly-Urethane, com o apoio do PNUD, desenvolveu nove máquinas de fabricação de poliuretano. A empresa investiu nos últimos anos cerca de 7 milhões de dólares e, em breve, muda-se para uma área maior, de 25 mil m’, na cidade de Ibirité, Grande BH, MG. ”Nossas máquinas estão tendo boa recepção em alguns países da América Latina”, diz Rosa da Silva, diretor.

A Krauss Maffei (São Paulo, SP), empresa de origem alemã, fabricante de máquinas injetoras, instalada no Brasil desde 1999, também passou a fornecer ao mercado máquinas especiais para o uso do HCFC.

”A base de água, o HCFC danificava os tradicionais equipamentos de produção de espumas. Desenvolvemos uma máquina que, além de se adaptar plenamente a nova substância, ainda garante maior produtividade ao comprador”, diz Anselmo Costa, do departamento comercial do setor de tecnologia de reação da Krauss Maffei.

As principais novidades nas máquinas da empresa são uma nova geração de tanques de trabalho com trocador de calor integrado, e uma cabeça misturadora de matérias-primas transversal, com tecnologia de cartuchos e pulverizador em V. Ele foi desenhado especialmente para o processamento de sistemas de difícil mistura e para a inserção laminar de misturas em moldes abertos.

Espumas flexíveis


Augusto Schmuziger, da Consultoria e Representações Industriais Schmiziger (São Paulo, SP), acredita que o trabalho feito ao longo dos últimos anos para a eliminação do uso CFC-11 no Brasil e para a confecção da espuma de poliuretano de uma ”forma limpa” atingiu suas metas. Porém, ressalta que as ações para a eliminação de CFC no setor de espumas flexíveis deixam a desejar.
”Na área de injetados, creio que o Protocolo cobriu 100%. Já na área de es- pumas flexíveis há uma pendência. Ela ainda não foi beneficiadas pelo Protocolo”, diz.
Schmuziger credita a essa situação o fato de que talvez não se tenha dado, inicialmente, muita importância a área de espumas flexíveis. ”Sempre se pensou em refrigeração, em espuma rígida, automobilística, em injetados em geral. Só agora está se fazendo um trabalho com as espumas flexíveis”, afirma.

Máquinas


João Luiz Costa, diretor da RXD Internacional (São Paulo, SP), empresa que representa no Brasil, há 9 anos, a Glas Craft norte-americana e fornece máquinas de fabricação de poliuretano, também acredita que o Brasil está no caminho certo para na eliminação do CFC-11.Contudo, faz um alerta. ”Ainda há muitas máquinas, principalmente as que usam o sistema spray, que não são eficientes na hora da transferencia do produto, e há perda de poliuretano”, declara.
Sua preocupação deve-se ao fato de que junto com essa perda há a liberação do HCFC-141B.


”Mesmo sendo menos prejudicial a camada de ozônio, como as máquinas funcionam continuamente, está se lançando na atmosfera uma quantidade considerável de hidroclorofluorcarbono. Precisamos investir em tecnologia para que nossas máquinas sejam mais eficientes, tanto na produção como na preservação do meio ambiente”, afirma Costa.


Fonte : Revista Poliuretano – Tecnologia e Aplicações, Nº 1, de maio/junho de 2003
Fonte da pesquisa feita por:
http://refrigeracao-2007.blogspot.com em 13/06/2007 http://www.ambiente.sp.gov.br/prozonesp/noticias/0503a.htm

Nenhum comentário: